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W5M4Y2026

Semana 5 de abril: o saque virou conversa, o ingresso combo virou auditoria, o cupom virou número e o festival de três dias virou um evento só.

V
Vinicius Blazius Goulart · CTO & Co-Founder
6 min de leitura

Tem semana em que o produto ganha feature. Tem semana em que ganha fluência — começa a conversar com quem usa, em vez de só responder com sim e não. Essa foi dessas.

A gente passou a semana fazendo o sistema parar de mentir bonito. Onde antes a resposta era um "valor inválido" frio, agora é uma proposta. Onde antes o produtor olhava e adivinhava, agora ele audita. E onde antes o festival de três dias parecia três produtos soltos, agora ele se enxerga inteiro.

O saque parou de mentir. Começou a sugerir.

Esse é o tipo de mudança que parece pequena no print e que muda a relação inteira do produtor com o financeiro.

Antes, quando o produtor pedia um saque, ele digitava um valor — R$ 5.000, R$ 12.430, qualquer coisa — e o sistema só sabia dizer "esse valor não dá". Sem motivo. Sem alternativa. Sem caminho.

Acontece que saque na Nittio não é só "o quanto tem no caixa". A gente trabalha casando o valor pedido com um conjunto exato de pedidos pagos — pra que cada centavo sacado tenha rastro contábil. Isso é o tipo de coisa que protege o produtor numa fiscalização e que evita aquele clássico "o relatório do banco não bate com o do sistema".

Mas a UX antiga deixava o produtor no escuro. Essa semana isso virou conversa:

  • O produtor pede R$ 5.000.
  • O sistema responde dentro do próprio diálogo: "esse valor exato não fecha com nenhuma combinação de pedidos pagos disponíveis. O mais próximo abaixo é R$ 4.872,30. O mais próximo acima é R$ 5.118,40."
  • Cada um vira um botão. Um clique e o valor já tá no formulário, pronto pra confirmar.

O produtor parou de adivinhar e começou a escolher. A gente também aproveitou pra remover uma janela de "esfriamento" antiga que segurava pedidos recém-pagos por algumas horas sem motivo — agora, paga e elegível, tá disponível. E expandimos esse fluxo pros três tipos de saque: evento, plano de produtor e produto avulso. Mesmo idioma em todos.

O ingresso combo agora cabe num espelho

Semana passada a gente lançou o ingresso configurável — aquele que vira combo com tamanho de camiseta, drink, mesa, acesso. Boa pra venda. Mas faltava o outro lado da história: o produtor conseguir olhar pra cada ingresso vendido e ver, sem clicar em nada extra, qual configuração saiu.

Agora dá. Na lista de ingressos do evento e na tela de cupons que casaram em uma compra, o nome do ingresso aparece junto com a opção escolhida — "Camarote — Mesa 4", "VIP — Camiseta M", "Pista — Combo com drink".

Parece detalhe. Não é. Significa que o produtor, ao bater o estoque na noite do evento, consegue auditar visualmente quem comprou o quê — sem cruzar planilhas paralelas, sem abrir cada ingresso individualmente. Combo só serve se for verificável; agora é.

O cupom virou número

Cupom sempre foi a ferramenta mais usada e a menos compreendida pelo produtor. "Quanto desconto eu dei mesmo nesse mês?" era uma pergunta que terminava em estimativa.

A partir dessa semana, todo pedido carrega o valor exato do desconto que o cupom aplicou — em centavos, não em porcentagem virada de cabeça pra baixo. Isso fica visível direto no detalhe do pedido e na listagem de cupons do evento.

Pro produtor que distribui códigos pra influenciador, embaixador, parceiro estratégico, isso fecha a equação que faltava: antes ele sabia quantos ingressos vieram do cupom; agora sabe quanto custou cada cupom. ROI de campanha parou de ser sentimento e virou cálculo.

A gente também rodou uma migração pra preencher esse valor retroativamente nos pedidos antigos, então o histórico inteiro fica auditável — não só o que foi vendido daqui pra frente.

O festival que se enxerga inteiro

Evento do mundo real raramente é uma data só. Festival tem três dias. Temporada tem cinco sessões. Curso tem oito encontros. E o público que compra entrada pra qualquer pedaço, é o mesmo público — só que distribuído.

Até agora, no Social, isso virava um problema invisível: cada dia do festival tinha sua própria lista de quem vai, sua própria leitura de público. Quem comprou pro sábado não enxergava quem comprou pro domingo. Três dias = três salas separadas.

A gente reescreveu como eventos linkados conversam. Agora, quando um evento é parte de uma família — pai, filhos ou irmãos —, a leitura social acontece no agregado. Quem comprou pro sábado vê quem vai no domingo. Quem entra pelo evento-mãe enxerga o público de todas as datas. As flechadas atravessam os dias.

Pra quem produz festival, temporada ou qualquer formato com várias sessões, isso muda o jogo: o evento parou de competir consigo mesmo na hora de criar pertencimento. É um único movimento social, distribuído em datas.

A porta do evento agora sabe onde sentar

O app de validação ganhou uma melhoria pequena no tamanho e gigante no efeito: o nome da seção agora aparece junto do ingresso na hora do scan.

Imagina a fila do camarote. O staff scaneia o QR e vê na tela: "VIP — Mezanino Direito, mesa 12". Não precisa abrir nada, perguntar nada, conferir lista paralela. A informação que importa pro próximo passo do comprador chega no segundo certo.

Junto disso, a gente unificou a forma como o app fala dos status de ingresso — válido, usado, estornado, expirado. Mesma cor, mesmo texto, mesma leitura, em qualquer tela do app de validação. Coerência que ninguém percebe quando funciona, mas que destrói confiança quando varia.

Reembolso mais honesto

Reembolso parece um botão. Por dentro, é um quebra-cabeça: o pedido precisa voltar pra um estado correto, os ingressos precisam ser invalidados, o cupom precisa ser liberado de novo, o estoque precisa abrir.

A gente endureceu essa engrenagem. Casos antigos onde um pedido era reembolsado mas o ingresso continuava ativo viraram impossíveis de acontecer. E rodamos uma varredura no histórico inteiro pra encontrar e corrigir os que existiam — mais um daqueles trabalhos que ninguém pede e que separa um produto sério de um produto que cresceu na sorte.

As pequenas vitórias da semana

Nem toda entrega vira manchete. Algumas só precisam funcionar:

  • Catálogo de produtores no app: produtores sem foto ou sem username deixaram de aparecer com cara de erro. Catálogo limpo, sem card quebrado.
  • Social com hierarquia visual: as flechadas e os matches ganharam cores distintas e consistentes em todas as telas — uma cor pra quem flechou, outra pra quem deu match. Conexão merece cor própria.
  • Lista de pedidos no perfil rolando sozinha: quem entra no histórico de pedidos não precisa mais clicar em "ver mais". Rolou, carregou. Da mesma forma que o resto da web já funciona há uma década.
  • Analytics do evento sem tropeço: uma quebra silenciosa no painel de números do produtor foi corrigida. Quem mede agora mede certo.

A semana em uma frase

O saque virou conversa, o ingresso combo virou auditoria, o cupom virou número, o festival virou inteiro, e a porta do evento parou de perguntar onde fica.

A gente vê esse tipo de semana e lembra do princípio que repete em cada release: antes da experiência, tem o produto que precisa explicar o que dá pra fazer. Não basta executar a vontade do produtor — tem que ajudar ele a chegar nela.

A experiência começa antes do evento. E o produto, quando funciona direito, começa antes da pergunta.